Microconto: A Cidade Silenciosa e o Peso do Silêncio Interior

Microconto: A Cidade Silenciosa e o Peso do Silêncio Interior


Ele acordou antes do sol, como sempre, com o coração pesado e os pensamentos acelerados. A cidade ainda dormia, mas dentro dele, ruas e becos escuros se abriam com memórias, lembranças de perdas silenciosas e palavras não ditas.

O café esfriava na mesa enquanto ele olhava pela janela, vendo a neblina matinal enrolar-se entre prédios e árvores. Cada respiração parecia carregar o peso de dias passados, de conversas que não aconteceram e de sentimentos que nunca encontrou coragem para nomear.


Ele caminhou até a varanda, sentindo o vento frio na pele e percebendo que, apesar do mundo lá fora ainda adormecido, dentro dele tudo estava acordado. As pequenas vitórias do ontem pareciam distantes, mas as falhas e dúvidas sussurravam alto, exigindo atenção.

Ele fechou os olhos e, por um instante, permitiu-se sentir cada fragmento do que carregava. Dor, saudade, medo, esperança: tudo misturado em uma única corrente silenciosa. Respirou fundo, lembrando que o amanhecer não é só luz do sol, mas também espaço para reconstruir-se, passo a passo.

Ao abrir os olhos, o céu começava a clarear. Uma leve sensação de paz atravessou o peito. Talvez o dia fosse só mais um desafio, talvez fosse uma oportunidade de enfrentar-se com coragem. Ele sabia que, mesmo sozinho, podia caminhar por esse silêncio e encontrar forças nas próprias sombras.


Por: LegendZilla

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