A luz do monitor era a única coisa viva naquele quarto
A luz do monitor era a única coisa viva naquele quarto. 02:47 da manhã. O ventilador girava devagar espalhando ar quente como se o próprio apartamento estivesse cansado de existir. A janela continuava aberta mesmo com o frio entrando porque ela gostava do som distante da cidade. Sirenes. Moto passando. Cachorro latindo em algum lugar invisível. O caos respirando lá fora enquanto ela fingia que ainda fazia parte dele. O quarto era pequeno. Escuro. Coberto por LEDs roxos já meio queimados nos cantos. Roupas pretas jogadas na cadeira. Livros nunca terminados empilhados perto da cama. Um copo vazio de energético ao lado do notebook. Tudo parecia congelado no tempo, como se aquele lugar tivesse desistido de evoluir junto com o resto do mundo. Na tela do computador: notificações ignoradas mensagens não respondidas vídeos sobre ansiedade playlists chamadas “nothing feels real anymore” Ela encarava tudo aquilo sem piscar muito. O delineador já tinha borrado fazia horas. T...