Aquela noite em que eu precisei desaparecer um pouco
Aquela noite em que eu precisei desaparecer um pouco Aquela noite começou estranha desde o começo. Eu estava com aquela sensação de que o mundo estava fazendo barulho demais, mesmo quando tudo ao meu redor estava quieto. Sabe quando a cabeça parece um cômodo cheio de caixas empilhadas até o teto? Qualquer movimento derruba tudo. Eu tava assim. Tranquei a porta do quarto, apaguei a luz e fiquei encarando o teto como se ele tivesse as respostas que ninguém nunca me deu. O problema é que o teto só devolvia o mesmo vazio que eu estava tentando fugir. E quanto mais eu olhava, mais parecia que ele me observava de volta. Peguei o celular e comecei a rolar a tela sem realmente ver nada. Era automático. Perfil, foto, frase, vida estranha de gente que parece nunca quebrar por dentro. E aquilo me fez sentir menor ainda. Tinha algo pesado se arrastando no meu peito… não era tristeza comum, era aquele silêncio que te abraça forte demais e não solta. Então decidi sair. Sem rumo. Sem motivo. Só queri...