Microconto Noturno: Ecos do Que Não Foi Dito
Microconto Noturno: Ecos do Que Não Foi Dito
Ele sentou-se na poltrona junto à janela, enquanto a lua derramava luz prateada sobre o chão frio. Cada sombra parecia sussurrar lembranças que o dia tinha tentado esconder, memórias de palavras não ditas e abraços não dados.
O mundo lá fora dormia, mas dentro dele tudo permanecia acordado: pensamentos giravam em círculos, perguntas sem resposta se acumulavam, e o coração batia pesado, lembrando-o de fragilidades que tentava ignorar.
Ele pegou um caderno esquecido na estante, folhas amareladas pelo tempo, e começou a escrever. Não eram frases perfeitas, mas fragmentos de si mesmo que precisavam ser libertados: a dor de um silêncio prolongado, o peso de um adeus que nunca veio, a saudade que não cabia em palavras comuns.
O vento frio entrou pela janela aberta, balançando as cortinas como mãos invisíveis tentando tocar seu rosto. Por um instante, ele sentiu-se menos só: mesmo sozinho, reconhecia que seus sentimentos tinham existência própria, dignos de atenção e respeito.
Ao fechar os olhos, a noite não parecia mais apenas escura; parecia compreensiva, como se cada estrela cintilasse com paciência e acolhimento. Ele respirou fundo, permitindo que o silêncio e a lua fossem cúmplices na reconstrução de si mesmo, preparando o coração para um novo amanhecer.
No fim, a noite não é inimiga: é testemunha, confidente e espaço seguro para enfrentar emoções que o dia insiste em apressar.
Por: LegendZilla
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