Microconto Matinal: O Peso das Lembranças ao Amanhecer
Microconto Matinal: O Peso das Lembranças ao Amanhecer.
Ele acordou com o cheiro úmido do céu após a chuva, mas o ambiente tranquilo da manhã não conseguia acalmar a tempestade silenciosa dentro dele. Cada memória do passado parecia mais viva antes do sol iluminar a cidade, e as lembranças não pediam permissão: invadiam o peito, cada uma carregando dor e saudade.
O café ainda esfriava na mesa enquanto ele olhava para a rua vazia. Um gato atravessou o caminho e desapareceu entre sombras e reflexos da água acumulada. Por um instante, ele imaginou que a vida também era assim: passar despercebida, fugaz, cheia de pequenos detalhes que ninguém mais notava.
Ele se permitiu, pela primeira vez naquela manhã, sentir cada fragmento de si mesmo: a culpa por decisões não tomadas, o peso de palavras não ditas, a saudade de quem partiu. Não havia pressa, nem obrigação de fingir alegria; havia apenas espaço para entender-se.
Ao abrir a janela, o vento frio tocou seu rosto e trouxe uma sensação estranha de liberdade: mesmo carregando dores invisíveis, ainda era possível respirar, perceber o mundo e escolher seguir. A manhã não apagava o passado, mas oferecia a chance de reconstruir-se, passo a passo, pensamento por pensamento.
A luz tímida do sol começou a colorir as ruas e prédios. Ele sorriu levemente, não porque tudo estava resolvido, mas porque reconheceu que sobreviver e sentir são, por si só, atos de coragem.
Por: LegendZilla
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