Microconto Noturno: Ecos da Solidão e Memórias

 Microconto Noturno: Ecos da Solidão e Memórias.


Ele caminhava pela casa silenciosa, cada passo ecoando como lembranças que o tempo não apagou. O relógio marcava horas tardias, mas dentro dele, cada segundo parecia prolongar memórias que insistiam em surgir: palavras que não foram ditas, abraços que não aconteceram, perdões que ficaram presos.


Sentou-se à janela e olhou para o céu escuro, pontilhado por estrelas tímidas. Cada brilho parecia conversar com ele, lembrando que, mesmo na solidão, não está totalmente sozinho; suas emoções têm existência, voz própria e direito de ser ouvidas.


Ele pegou um caderno e começou a escrever, não frases perfeitas, mas fragmentos de sentimentos que precisavam sair. Dor, saudade, medo, esperança — tudo misturado em palavras que dançavam entre linhas tortas. Cada letra era um passo para organizar a tempestade interna, cada palavra uma tentativa de transformar peso em clareza.


O vento noturno atravessou a janela aberta, balançando as cortinas como mãos invisíveis tentando acalmar sua inquietação. Por um momento, ele percebeu que não precisava resolver tudo; bastava permitir-se sentir, observar e aceitar cada emoção como parte de quem ele é.


Ao fechar os olhos, a noite não parecia mais escura; parecia cúmplice, guardiã de segredos e emoções profundas. Ele respirou fundo e, pela primeira vez naquela noite, sentiu-se pronto para deixar que o sono viesse, preparando o coração para enfrentar um novo dia com serenidade e consciência.

A noite não é inimiga; é aliada. É o espaço seguro onde podemos enfrentar memórias, reorganizar sentimentos e nos preparar para renascer, mesmo que apenas um pouco, a cada amanhecer.


Por: LegendZilla

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