Aquela noite em que eu precisei desaparecer um pouco

Aquela noite em que eu precisei desaparecer um pouco


Aquela noite começou estranha desde o começo. Eu estava com aquela sensação de que o mundo estava fazendo barulho demais, mesmo quando tudo ao meu redor estava quieto. Sabe quando a cabeça parece um cômodo cheio de caixas empilhadas até o teto? Qualquer movimento derruba tudo. Eu tava assim.

Tranquei a porta do quarto, apaguei a luz e fiquei encarando o teto como se ele tivesse as respostas que ninguém nunca me deu. O problema é que o teto só devolvia o mesmo vazio que eu estava tentando fugir. E quanto mais eu olhava, mais parecia que ele me observava de volta.

Peguei o celular e comecei a rolar a tela sem realmente ver nada. Era automático. Perfil, foto, frase, vida estranha de gente que parece nunca quebrar por dentro. E aquilo me fez sentir menor ainda. Tinha algo pesado se arrastando no meu peito… não era tristeza comum, era aquele silêncio que te abraça forte demais e não solta.

Então decidi sair. Sem rumo. Sem motivo. Só queria respirar um ar que não tivesse sido usado pelas minhas angústias. Caminhei pela rua como quem tenta desaparecer sem deixar pistas. O mundo parecia distante, como se eu estivesse numa janela assistindo a vida dos outros passar enquanto a minha ficava parada.

Quando cheguei perto da avenida, vi um banco vazio encostado numa árvore iluminada pela luz amarela do poste. Sentei ali como se estivesse esperando por alguém que eu nem sabia se existia. E foi ali, naquele banco solitário, que percebi que eu tava segurando um cansaço que não tinha nome. Um cansaço que não vinha de ontem, mas de anos tentando ser forte pra todo mundo, menos pra mim.

Respirei fundo e senti algo quebrar — não em dor, mas em sinceridade. Pela primeira vez em meses, eu assumi pra mim mesmo que eu precisava de uma pausa. Não da vida… mas da pressão de fingir que estava bem. Eu precisava desaparecer um pouco pra poder voltar inteiro em outro momento.

E naquela noite, sem lágrimas, sem drama, sem testemunhas… eu finalmente descansei por dentro. Por alguns minutos, o silêncio não era meu inimigo. Ele era só alguém que sentou comigo e disse: “eu sei”.

Voltei pra casa devagar, carregando a mesma dor — mas ela parecia menos afiada. Como se tivesse cansado também. Dormi sem respostas, mas com a certeza de que sentir demais não me tornava fraco. Me tornava humano.

Por: Legendzilla.

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