Você não está ficando frio, você só está se protegendo demais

 Você não está ficando frio, você só está se protegendo demais.


Chega um ponto em que você não reage mais como antes. Não se empolga, não se envolve, não se entrega. As pessoas dizem que você ficou frio, distante, diferente. Mas a verdade é mais simples e mais dura: você só se protegeu demais depois de apanhar emocionalmente por tempo suficiente.

Você aprendeu do jeito difícil que sentir demais machuca. Que confiar demais cobra juros altos. Que se abrir sem garantia nenhuma pode virar munição contra você. Então você fechou. Não de uma vez, mas aos poucos. Cada decepção foi mais um cadeado.


No começo, isso parece maturidade. Você não sofre tanto, não cria expectativa, não se abala com qualquer coisa. Parece evolução. Mas proteção em excesso também vira prisão. Você começa a evitar não só a dor, mas tudo que vem junto com ela. Afeto, conexão, entusiasmo.

Você passa a analisar demais antes de sentir. A medir palavras, gestos, intenções. Não porque é calculista, mas porque está cansado de se machucar. Seu corpo aprendeu que baixar a guarda dói, então ele faz de tudo pra impedir isso.


O problema é que ninguém vive só de defesa. Quando você se protege o tempo todo, vive em alerta constante. E alerta constante cansa. Você fica mais fechado, mais seletivo, mais solitário. Não porque quer, mas porque não sabe mais como ser diferente sem se expor.

Tem gente que se afasta achando que você não se importa. Tem gente que desiste porque não consegue atravessar seus muros. E isso reforça a ideia de que fechar foi a escolha certa. Só que, no fundo, você sente falta de quando se permitia sentir sem tanto medo.


Você não ficou frio. Você ficou cauteloso. Só que cautela sem pausa vira rigidez. E rigidez emocional te impede de viver experiências novas. Tudo parece arriscado demais, trabalhoso demais, cansativo demais.

Existe também a culpa. Culpa por não conseguir se empolgar. Culpa por não sentir como antes. Culpa por não corresponder às expectativas emocionais dos outros. Você se pergunta se algo quebrou de vez aí dentro.


Não quebrou. Está só sobrecarregado. Emoção reprimida não desaparece, ela se acumula. E quando acumula demais, o corpo escolhe o modo econômico: sentir menos pra sobreviver mais.

Mas sobreviver não é o mesmo que viver. Você merece mais do que apenas passar pelos dias intacto. Merece se sentir vivo, mesmo que isso inclua algum risco emocional. Não risco inconsequente, mas risco humano.


Talvez o próximo passo não seja se abrir totalmente, nem continuar fechado. Talvez seja escolher melhor. Quem merece acesso, quem não merece. Onde você pode relaxar um pouco, onde precisa manter limite.

Você não precisa voltar a ser quem era antes de se machucar. Aquela versão não tinha ferramentas. Agora você tem. Só precisa aprender a usar sem se trancar por completo.


Ser sensível não é erro. O erro é se punir por ter sentido demais. Você não ficou frio. Só esqueceu, por um tempo, que também merece sentir coisas boas sem se defender o tempo inteiro.

Por: Legendzilla.

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