O Pior Tipo de Saudade Não É de Uma Pessoa. É de Uma Versão Sua Que Já Não Existe
Quando pensamos em saudade, quase sempre pensamos em alguém.
Um amor.
Uma amizade.
Uma pessoa que fez parte da nossa vida.
Alguém que foi embora.
Alguém que ficou apenas na memória.
Mas existe um tipo de saudade muito mais silencioso.
Muito mais difícil de explicar.
E muitas vezes muito mais doloroso.
Você já sentiu falta de si mesmo?
Talvez a pergunta pareça estranha.
Mas pense por um momento.
Você lembra daquela versão sua que acreditava mais?
Que confiava mais?
Que fazia planos sem medo?
Que se animava facilmente?
Que não carregava tantas cicatrizes?
Ela ainda existe?
Ou ficou perdida em algum ponto do caminho?
Porque a vida muda as pessoas.
Não apenas por causa do tempo.
Mas por causa das experiências.
Das perdas.
Das decepções.
Das despedidas.
Dos sonhos que não aconteceram.
Ninguém percebe quando você muda por dentro
Mudanças físicas são fáceis de notar.
Um corte de cabelo.
Uma roupa diferente.
Alguns anos a mais.
Mas as mudanças internas acontecem em silêncio.
Ninguém vê o momento exato em que você para de acreditar em certas coisas.
Ninguém vê o instante em que você começa a desconfiar mais das pessoas.
Ninguém vê quando seu entusiasmo diminui.
Quando sua esperança enfraquece.
Quando sua inocência desaparece.
Essas transformações acontecem longe dos olhos de todo mundo.
Mas você sente cada uma delas.
O peso das versões abandonadas
Ao longo da vida vamos deixando versões nossas pelo caminho.
O adolescente cheio de sonhos.
A pessoa que acreditava naquele relacionamento.
A versão que confiava naquela amizade.
Aquela que imaginava um futuro completamente diferente.
Todas elas continuam existindo de alguma forma dentro da memória.
Como fotografias guardadas em uma caixa antiga.
Você pode não visitá-las todos os dias.
Mas sabe que estão lá.
E às vezes, durante uma madrugada silenciosa, elas voltam para conversar com você.
Quando a nostalgia engana
Existe algo curioso sobre a memória.
Ela raramente é justa.
Ela adora destacar os momentos bonitos.
Os detalhes felizes.
As sensações agradáveis.
E esconder parte das dificuldades.
Por isso o passado costuma parecer melhor do que realmente foi.
Não porque era perfeito.
Mas porque a saudade atua como um filtro.
Ainda assim...
Mesmo sabendo disso...
Existem versões nossas que realmente deixam falta.
Não porque eram melhores.
Mas porque eram mais leves.
A pessoa que você era não morreu
Essa é uma das maiores ilusões criadas pela tristeza.
A ideia de que aquela versão sua desapareceu para sempre.
Mas ela não desapareceu.
Ela mudou.
Assim como você mudou.
Você não é exatamente quem era aos quinze anos.
Nem aos vinte.
Nem aos vinte e cinco.
Mas partes dessas versões continuam aí.
Misturadas.
Escondidas.
Esperando ser encontradas novamente.
Talvez aquele entusiasmo ainda exista.
Talvez aquela criatividade ainda exista.
Talvez aquela esperança ainda exista.
Coberta por camadas de experiências.
Mas ainda viva.
Crescer também envolve luto
Quase ninguém fala sobre isso.
Mas crescer envolve despedidas.
Não apenas de pessoas.
Mas de versões de nós mesmos.
E existe um luto silencioso nesse processo.
O luto daquilo que imaginávamos ser.
Daquilo que sonhávamos viver.
Dos caminhos que nunca seguimos.
Das histórias que nunca aconteceram.
E tudo bem sentir essa tristeza.
Ela faz parte da experiência humana.
Talvez você não precise voltar a ser quem era
Muitas pessoas passam anos tentando recuperar uma versão antiga de si mesmas.
Mas talvez esse não seja o objetivo.
Talvez você não precise voltar.
Talvez precise apenas levar consigo aquilo que ainda faz sentido.
A coragem.
A curiosidade.
A esperança.
Os sonhos.
E permitir que eles convivam com a maturidade que você adquiriu.
Porque o passado não pode ser recuperado.
Mas as melhores partes dele podem continuar vivendo dentro de você.
E talvez a saudade não exista para fazer você olhar para trás.
Talvez exista para lembrar algo importante.
Que apesar de todas as mudanças...
Ainda existe uma parte sua esperando para voltar a respirar.
Por: Legendzilla.

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